Piauí busca China e União Europeia para a transição energética
Com a Brazil Energy Conference, estado quer atrair empresas e tecnologias para energias renováveis. Governo federal anuncia financiamento de 1,6 bilhão de euros para transição energética.
Com os Estados Unidos estimulando o uso de energias fósseis, como o petróleo, o caminho para a descarbonização se tornou uma importante fonte a ser explorado pelo Piauí, estado do Nordeste brasileiro que foi incluído no âmbito na iniciativa Global Gateway, da União Europeia, que está destinando 2 bilhões (mi milhões) de euros para investimentos no Brasil. O objetivo é atrair empresas, tecnologias e investidores de outros países para o estado, como ressaltado pelos participantes da Brazil Energy Conference, que começou nesta quarta-feira (04/06), em Teresina, e seguirá até sábado.
O Piauí elegeu as energias renováveis, principalmente o hidrogêneio verde, como um dos pilares para o crescimento econômico de forma sustentável. O estado já se tornou uma das referências nesse sentido e tem se preocupado em melhorar os indicadores de educação para a formação de mão de obra especializada.
Segundo Vítor Hugo Almeida, presidente da Piauí Investe — a agência de investimento do estado —, a posição tomada pela atual administração norte-americana não vai mudar a busca de energias renováveis e limpas. "Em conversa com representantes da União Europeia e dos países europeus, ficou claro que eles não vão mudar a rota da transição energética. Nós estamos trabalhando com os países europeus, com a Ásia, que também já tomou a decisão pela transição energética", afirma.
Para ele, há uma mudança ocorrendo na economia. “Os Estados Unidos têm um papel importante na economia global, mas, hoje, nesse mundo multipolar, fica cada vez mais claro que nós temos grandes empresas que já optaram por essa transição ecológica”, argumenta.
Matriz energética limpa
Entre os participantes da conferência estão companhias chinesas e europeias. “A chinesa CGN Energy está anunciando um grande investimento num parque solar, já com baterias. Temos também a SPIC, outra empresa chinesa, que está participando de projetos no estado, que quer ampliar seus parques solares e desenvolver outras formas de produção de energia sustentável”, destaca.
Da Europa, ele cita duas grandes empresas. “Há Solatio, de energia solar, e a Green Energy Park, que conta com o apoio da União Europeia e iniciou a construção da primeira grande planta solar de produção de hidrogênio verde do país”, lista.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles, afirma que o estado está bastante adiantado na descarbonização. “O Piauí produz mais de sete vezes a energia que consome, e a matriz é 99,75% limpa”, observa, citando como principais fontes energéticas a solar e a eólica.
O objetivo do governo estadual não é produzir mais energia para vender para outros estados, mas utilizá-la para o desenvolvimento industrial. “A meu ver, essa energia vai gerar ainda mais empregos de qualidade no momento em que nos transformarmos realmente num hub de produção de hidrogênio verde, de data centers, de fertilizantes verdes e de aço verde”, diz o governador, citando as atividades econômicas que quer ver crescer no estado.
Financiamento
Na abertura da conferência, foi anunciado uma fonte de financiamento por parte do Governo federal. “Estamos com a chamada para o Nova Indústria Brasil, lançamento de um edital para a região Nordeste de 10 bilhões de reais (1,6 mil milhões de euros). O edital visa fortalecer a transição energética, com hidrogênio verde, descarbonização, fármacos e setor automotivo”, anuncia Maria Fernanda Coelho, presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e diretora de crédito digital do BNDES.
Segundo o edital, as propostas devem ser apresentadas até agosto, mas toda a verba disponibilizada será por empréstimo. “Temos recursos reembolsáveis e não reembolsáveis”, assinala a executiva. Ela não detalhou qual parcela será concedida como empréstimo e qual terá subsídios.
Fernanda fez um balanço da transição energética brasileira. "O Brasil tem 89% de sua matriz energética sustentável. O Nordeste avançou na energia eólica e solar. A capacidade hoje do Nordeste é de 50 mil gigawatts. Para comparar, a usina hidrelétrica de Itaipu tem capacidade de 14 mil gigawatts. O Nordeste tem capacidade maior do que três Itaipus", diz, referindo-se à maior usina hidroelétrica do país e asegunda do planeta.
A ABDE é uma entidade que reúne bancos públicos e de fomento. Segundo Fernanda, 46% de todo o crédito oferecido no Brasil têm origem em instituições da ABDE.
O repórter viajou a convite da Brazil Energy Conference.