Beleza, mas agora o que a gente faz com isso?, indaga Rubel, que retorna a Portugal

Cantor e compositor brasileiro se apresentará em Lisboa, Braga e Porto em show mais intimista. Ele cantará músicas do novo disco, sem esquecer os hits, como Partilhar, com a dupla Anavitória.

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O cantor e compositor Rubel retornará a Portugal em novembro com o novo disco: "Beleza, mas agora o que a gente faz com isso?" Bruna Sussekind
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O cantor e compositor Rubel, 34 anos, autor de sucessos como Partilhar, em parceria com a dupla Anavitória, fará mais uma turnê em Portugal. Nos dias 18 (Braga), 20 (Lisboa) e 23 (Porto) de novembro, o jovem talento da MPB apresentará canções de seu novo álbum, Beleza, mas agora o que a gente faz com isso?.

Do seu apartamento no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro, ele conversou com o PÚBLICO Brasil sobre a carreira e o tour em terras portuguesas. "É o meu quarto disco de estúdio, de voz e violão. Os shows em Portugal serão voz e violão também, bastante íntimo. Mas o repertório inclui músicas de todos os meus trabalhos", adiantou o cantor, que já lançou Pearl (2015), Casas (2018) e As Palavras Vol. 1 & 2 (2023), numa mistura folk e pop, entre outros elementos da música.

Em Beleza, mas agora o que a gente faz com isso?, Rubel destacou a canção Ouro como uma das faixas principais em um disco que, avisou o artista, não é pop. "É um álbum estranho porque não tem refrão. Não é convencional em relação às fórmulas do mercado. E eu acho que Ouro se aproxima mais de uma estética pop, tem refrão, tem um arranjo um pouco mais para cima, e está sendo bem recebida nos shows. Espero que as pessoas em Portugal gostem também", disse.

Rubel, que nasceu em Volta Redonda, município do Rio, onde viveu até os 7 anos, explicou que mirou na estética da MPB da década de 1970 para gravar o novo álbum, inspirado em nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jorge Ben Jor. "Eles são as minhas referências principais, são artistas que eu amo. Aquele período da música brasileira tem um tipo de sonoridade que, geralmente, é calcada no violão, nos arranjos de cordas", ressaltou.

E complementou: "Esse disco é quase uma homenagem a uma época específica da MPB que me encanta. Para mim, é uma das coisas mais lindas que já foram feitas na história da música”. O cantor fez questão de frisar que não tem a pretensão de ser “tão incrível” como os seus ídolos. "É uma homenagem no sentido de eu tentar, de alguma forma, fazer o meu trabalho se aproximar do trabalho deles. Então, esse meu disco é menos experimental do que os outros."

Três paixões

Formado em Cinema pela PUC-Rio, com intercâmbio no Texas, Estados Unidos, Rubel tenta conciliar suas três paixões: sétima arte, música e literatura. “Na verdade, eu bebo um pouco dessas três fontes: a própria música, obviamente, o cinema e a literatura”, explicou ele, que dirigiu vários clipes de suas canções. "Sempre que posso, tento misturar um pouquinho a música com a minha bagagem de cinema. Hoje em dia é mais difícil, porque demanda muito tempo. Eu tento delegar", ponderou.

Enquanto tomava café, em uma xícara decorada com personagens da HQ Peanuts, ele falou também de suas incontáveis viagens à terrinha. O artista é apaixonado pelo público português. "Acho que vai ser meu quinto ou sexto show em Portugal. Estou feliz de poder voltar com um disco que tem uma sonoridade, que dialoga bem com que os portugueses se interessam, que é a canção, a letra, a melodia", analisou. "Eles têm uma relação muito forte com a palavra. Acho que é um aspecto que eles sempre valorizam nas minhas músicas, de uma forma até diferente do público brasileiro. Eu sinto que os portugueses têm carinho e atenção para essa relação com as letras das músicas, com essa relação quase literária", observou.

Rubel também frisa que os portugueses são "gentis e atenciosos". “Existe uma cordialidade que me encanta. Eu sinto que as pessoas são muito educadas, e eu me sinto bem em lugares onde existe respeito ao espaço do outro, um cuidado com o outro", assinalou.

Senso de humor

Ele destacou ainda o senso de humor da população, que, às vezes, não é compreendido por outras nacionalidades. "O que muita gente enxerga como literalidade, como um povo que é literal no que diz, eu acho que, na verdade, é muito sarcástico. O senso de humor deles é diferente do nosso, do brasileiro, que ébem escancarado. As piadas são anunciadas de uma maneira explícita. Acho que o português tem um humor mais próximo do inglês, que é sério. Ele fala a piada de forma séria e sarcástica, e isso me encanta também", apontou ele, que é fã do humorista Ricardo Araújo Pereira.

Apesar do pouco tempo de carreira, Rubel já foi indicado duas vezes ao Grammy Latino: em 2018, como melhor álbum de rock ou música alternativa em língua portuguesa, com Casas, e, há dois anos, como melhor álbum de pop contemporâneo em língua portuguesa, com As Palavras Vol. 1 & 2.

“Eu não acredito em premiação no sentido daquilo ser um resultado objetivo de quem é o melhor cantor, por exemplo. Mas serve para dar visibilidade, para você ser visto e reconhecido por mais gente. É como se fosse um carimbo de uma validação de qualidade, então, nesse aspecto, é interessante poder ter esse respaldo do mercado. Fico muito feliz", afirmou.

E emendou, esperançoso: "Espero que esse disco também seja indicado. Se tudo der certo, é possível que eu vá direto de Las Vegas, onde acontece o evento, para a Europa. A premiação é três dias antes do meu primeiro show em Portugal. Espero que eu ganhe, porque nunca ganhei, quem sabe este ano". Uma grande torcida ele já tem.