Startup brasileira que fatura 15 milhões de euros por ano chega a Portugal
Empresa ensina empresários sobre como ampliar as vendas. Meta da SME, que está em processo de internacionalização, é alcançar valor de mercado de 155 milhões de euros até 2028.
Bisneto de portugueses e nascido em Maceió, Alagoas, há 26 anos, Theo Braga chegou a São Paulo em 2017 com o sonho de empreender. Iniciou o curso universitário de administração de empresas ao mesmo tempo em que estagiava em corretoras de investimento. Teve a certeza de que o caminho profissional corria naquela direção. Em 2020, o jovem deixou a faculdade para dar o primeiro grande salto: a criação da Smart Money Education (SME) The New Economy, para capacitar empresários e investidores em marketing digital e que, somente em 2025, deve faturar 15 milhões de euros. A meta da SME, para os próximos três anos, é alcançar um valor de mercado de 155 milhões de euros.
O segundo grande salto começa a ser dado agora, com a internacionalização da empresa a partir de Portugal. Para isso, Theo iniciou conversas com empresários brasileiros que vivem em território luso e, em breve, buscará também os portugueses interessados em crescer por meio do marketing digital. Num primeiro momento, as formações serão dadas em estabelecimentos terceirizados, como hotéis. A previsão é de que, inicialmente, 100 empregos diretos sejam gerados, além dos indiretos, pois, "à medida que os empresários prosperam", geram outros postos de trabalho.
"É algo muito grande, assim como acontece no Brasil", informa o empresário. “Expandir para Portugal é um passo estratégico para fazer chegar, ao mercado local, práticas mais avançadas, baseadas em dados e personalização. O Brasil hoje é referência mundial em marketing digital", complementa.
Quando fala em Brasil, Theo se refere aos cursos de formação e a grupos fechados de empreendedores, além de consultorias especializadas na área digital, tudo ministrado pela SME. Ao todo, mais de 100 mil empresários passaram por capacitação em um cardápio imersivo que inclui programas como as Jornadas Equity, Leaders, Jornada Tech & IA e Capital.
No portfólio da escola, entre os clientes que foram impulsionados pelo modelo de crescimento nos negócios proposto pela SME estão Starbucks, Samsung, XP Investimentos e Eletromídia. Recentemente, a SME comprou 10% da HIAS Group, um ecossistema de marketing que aposta na metrificação, somada à criatividade, para potencializar marcas no mundo empresarial.
Celeiro de talentos
Para o empresário, o Brasil é um celeiro de talentos na área de marketing digital e de tecnologia. "Há, ainda, muita oportunidade inexplorada. Onde o mato é alto, é onde as oportunidades são mais rentáveis, e é isso que a gente busca", afirma.
E acrescenta: "Usamos o marketing digital para vender algo presencial e tangível. Não são cursos online, são cursos presenciais, treinamentos e imersões. É como se fosse um MBA que, ao invés de ser feito em dois anos, se faz em dois dias. E não se trata só de teoria, tem a prática também. Usamos o marketing digital para vender algo presencial".
Esse formato de aprendizado, garante ele, é hoje em dia fundamental para vários perfis de negócios, como B2B (quando uma empresa vende produtos ou serviços para outra empresa) e B2C (a venda acontece diretamente da empresa para o consumidor final). Theo destaca que a inovação é quem dá as cartas no momento, e o marketing digital é a boa e velha divulgação.
"Essa é uma tendência que está sendo muito explorada no mundo inteiro, por empresários e empresas: usar a parte tecnológica, o banco de dados e a Inteligência Artificial para inovar e escalar nos negócios”, destaca.
Mercado crescente
Somente em 2024, foram investidos, no Brasil, quase 6 bilhões de euros em publicidade digital, de acordo com o estudo Digital AdSpend 2025, feito pela IAB Brasil em parceria com a Kantar Ibope Media, um aumento de 8% ante o ano anterior. Em Portugal, foram 880 milhões de euros no mesmo período.
"Não imaginava chegar onde estamos agora. Sair de Maceió já foi um sonho. Depois, estudar e empreender em São Paulo, conquistar nosso espaço e, agora, chegar a Portugal. Ouvi uma frase que diz que 'a empresa que não virar influenciadora vai perder para o influenciador que vai virar empresa'. Então, é um novo momento, um novo movimento e a gente acredita muito nisso", diz.
Para Theo Braga, "o papel da SME não é ser uma empresa de marketing digital. Somos uma empresa de negócios, a gente ensina empresários e utiliza o marketing digital para isso. É um meio, e não um fim".