No Porto, quem puxa o samba é um português

Este fim de semana, realiza-se a Casa de Bamba no Jangal Gastro Bar. No sábado, roda de samba e, no domingo, chorinho. Últimas edições reuniram mais de 900 pessoas só no samba.

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A Casa de Bamba se apresenta no sábado e domingo no Porto Rafa Pinheiro/ Divulgação
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Que o samba encontrou seu espaço em Portugal, ninguém duvida. Por isso, a Casa de Bamba, que acontece no Porto neste fim de semana, não economiza nas projeções. A expectativa é reunir pelo menos 1 mil pessoas no Jangal Gastro Bar apenas na roda de batuque marcada para este sábado (02/08). "Temos uma roda de samba com 17 músicos, sete do Brasil e 10 portugueses, que vai das 13h às 11h da noite", diz o português Pedro Pinheiro, 45 anos, músico e organizador do evento.

A programação se estenderá pelo domingo (03/08), com atividades para toda a família. "Nesse dia, o evento começará às 11h da manhã, com aulas de capoeira para as crianças, teremos um workshop sobre construção de instrumentos de percussão, com o Batucada Radical, e, ao final, chorinho, sob responsabilidade do Clube de Choro do Porto. Mês sim, mês não, o fim de tarde tem forró com o Celo Costa Trio", descreve. A programação de domingo termina às 21 horas.

O evento do grupo Bamba Social já se tornou parte da vida do Porto. "Fazemos uma vez por mês num local com um jardim interior enorme. Cabem mais de mil pessoas. Em julho, tivemos mais de 900 pessoas no sábado e perto de 200 no domingo", relata Pinheiro.

E o cardápio é feito para quem está com saudades do Brasil. “Tem feijoada, picanha, açaí e porco no espeto, além de pizza”, lista o organizador. Para aqueles que quiserem levar ingredientes da gastronomia brasileira para casa, há uma feirinha. Nas paredes, uma exposição com obras de artistas oriundos do Brasil.

O grupo Bamba Social leva o samba para o Porto há 13 anos Divulgação
O espaço tem capacidade para mais de mil pessoas Rafa Pinheiro/divulação
O grupo mantém a tradição do samba de roda Rafa Pinheiro/divulgação
O objetivo é ser um espaço para a família Rafa Pinheiro/divulgação
No centro da cidade, perto da Praça dos Aliados, é onde acontece o samba Rafa Pinheiro/divulgação
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O grupo Bamba Social leva o samba para o Porto há 13 anos Divulgação

Paixão pelo samba

Originalmente, Pinheiro tocava reggae. Mas conta que um disco mudou sua vida. “Em 2004, o Felipe Deniz, que faz parte do nosso grupo, foi ao Brasil e trouxe um disco do Bezerra da Silva. A partir daí, como disse o Zeca Pagodinho, nunca mais tive sossego”, diz o puxador do samba da Roda de Bamba.

Não que a música brasileira fosse desconhecida para ele. “Quando eu era criança, gostava de qualquer coisa do Brasil. Ouvia música brasileira no colo da minha avó. Na primeira vez que eu fui ao Rio de Janeiro, em 2009, disse que beijaria o chão como o papa João Paulo II fazia em todas as viagens”, lembra.

A migração para o ritmo brasileiro se deu em 2012, com a criação do conjunto Bamba Social. Inicialmente, o grupo tinha de sete a oito músicos e tocava toda quinta-feira em um espaço chamado Baixaria, no centro do Porto. "O povo queria sambar. Ficava lotado. Com isso, mudamos a nossa apresentação para os sábados”, relata o músico.

A ligação entre Brasil e Portugal é forte no trabalho realizado por Pinheiro. "Todos os músicos portugueses do Bamba Social têm história no Brasil. Um deles foi o primeiro estrangeiro a tocar na bateria da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro", acrescenta.

Uma das características da roda de samba é ser aberta a participações de músicos que passem pelo Porto. Já tocaram e cantaram com o Bamba Social Marcelo D2, Karla da Silva, Neném do Chalé, Júlia Vargas, Negão da Serrinha — que fez a direção musical do filme Mussum, o Filmis — e Moacir Luz. Questionado sobre quem gostaria de ter na sua roda de samba, Pinheiro nem pestaneja: "Zeca Pagodinho!"