Brasileiros já podem pagar compras com PIX em supermercados de Lisboa e Cascais
Rede Continente estende serviço, que já era oferecido em seis lojas em Braga, para 18 postos de vendas em regiões mais populosas de Portugal, que inclui também Oeiras.
Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esperneia contra o PIX, o sistema eletrônico brasileiro de pagamentos, Portugal amplia os passos para disponibilizar esse serviço em seu território. Uma das maiores redes de supermercados do país, o Continente, da Sonae (proprietária do jornal PÚBLICO), anunciou, nesta quinta-feira (07/08), que o PIX está, agora, disponível em 18 lojas de Lisboa, Oeiras e Cascais, onde o fluxo de brasileiros, seja como moradores, seja como turistas, é grande.
A decisão de estender o PIX para áreas mais populosas de Portugal foi tomada depois de o Continente testar o sistema de pagamentos em seis pontos de venda de Braga, do Norte do país, onde vivem, atualmente, cerca de 20 mil brasileiros — a cidade, por sinal, passou a ser chamada informalmente de Braguil.
O serviço permite que os brasileiros paguem as contas em reais, com dinheiro depositado em bancos no Brasil. Basta abrir, no celular, o aplicativo da instituição financeira na qual se tem a conta-corrente, buscar o PIX e escanear um QR Code disponibilizado pela loja na hora do pagamento. O usuário do PIX saberá, na exato momento, quanto pagou em reais e em euros.
Integração ampliada
A ampliação do PIX pela rede Continente é resultado de uma parceria com o Braza Bank, do Brasil, e a Unicre, empresa que gere terminais de pagamentos no varejo de Portugal. É importante ressaltar que, na operação, há uma taxa operacional, em torno de 3% (média do mercado, paga pelo lojista), o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de 3,5%, e a variação cambial na conversão de reais para euros.
Para os comerciantes portugueses, os brasileiros se tornaram consumidores estratégicos. Recentemente, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, afirmou que a população de cidadãos oriundos do Brasil passa de 550 mil. Segundo o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, só na capital portuguesa e no entorno dela, moram cerca de 350 mil brasileiros.
De acordo com Marcelo Sá, diretor de Negócios Europa do Braza Bank, a ampliação da oferta do PIX nas lojas da rede de supermercados é consequência da avaliação dos três meses de testes do meio de pagamento em Braga. “Como os resultados foram satisfatórios, o Continente resolveu ampliar para outras regiões com grande concentração de brasileiros”, afirma.
Ele explica o porquê de ainda não ser possível usar o PIX em todas as lojas do Continente. “Isso depende da integração de sistemas. Atualmente, o PIX está funcionando em um sistema paralelo. Quando for integrado no sistema principal, será muito mais fácil estendê-lo para todas as lojas”, assegura.
PIX pelo mundo
Não é apenas em Portugal que o PIX vai ganhando espaço. Pelos registros do Banco Central do Brasil, o sistema brasileiro de pagamentos já está presente nos Estados Unidos (Miami, especificamente), França, Chile, Argentina, Uruguai, Espanha e Paraguai. Isso é possível por meio de parcerias entre fintechs brasileiras e empresas crendeciadoras (de maquininhas) e facilitadoras dos países, que servem de intermediárias entre o pagador (o brasileiro) e o recebedor (o lojista).
Para Maurício Baum, consultor financeiro da Colink Business Consulting, apesar de o governo brasileiro ter igualado do IOF em todas as operações de câmbio feitas no exterior, o PIX continua sendo mais vantajoso do que o cartão de crédito, porque há apenas uma operação de câmbio, de reais para euros, enquanto, nos cartões, os gastos em reais são convertidos para dólares e, depois, para euros. Além disso, o comprador sabe exatamente qual o valor pago no ato da compra — no cartão, têm de esperar extrato para conhecer o valor final da operação.
Hoje, segundo o BC brasileiro, o PIX é usado por mais de 160 milhões de brasileiros. No exterior, contudo, o sistema só está disponível para pagamentos. Ainda não é possível fazer transferências internacionais — tal possibilidade está em estudo. Donald Trump atacou o PIX porque o mecanismo brasileiro passou a concorrer diretamente com as gigantes norte-americanas Visa e Mastercard e praticamente inviabilizou o sistema instantâneo de pagamentos que seria criado no Brasil pelo WhatsApp, da Meta.