Menino autista da Paraíba vai expor a sua arte no Museu do Louvre, em Paris
O pintor Mateus Rosa, de 9 anos, natural de Campina Grande, terá mostra de 17 a 19 de outubro no icônico museu francês, no mesmo lugar onde reluz Mona Lisa, de Leonardo da Vinci.
O pintor autista Mateus Rosa, 9 anos, natural de Campina Grande, no interior da Paraíba, vai expor suas obras de arte no Museu do Louvre, em Paris, no mesmo lugar onde reluz Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. A mostra dos trabalhos de Mateus ocorrerá entre 17 e 19 de outubro. Ele, que era uma criança não verbal, começou a pintar aos 2 anos de idade, o que o ajudou a desenvolver uma série de habilidades.
A mãe de Mateus, Maria Eduarda Rosa, 38, e o pai, Milton, 42, explicam que o convite para expor no Louvre surgiu de uma forma inusitada, pelas redes sociais, por meio de uma galeria de arte de Paris, em maio deste ano. “Uma seguidora nas redes sociais do Mateus perguntou à família se era possível enviar o portfólio do artista para uma galeria que ela conhecia em Paris. Depois desse contato, recebemos o convite”, conta Maria Eduarda ao PÚBLICO Brasil.
A confirmação da exposição chegou por e-mail e, desde então, Mateus é só felicidade. O menino sonhava em conhecer Paris e até chegou a fazer um desenho onde materializou o pedido. Com a exposição, o sonho se tornará realidade, dizem os pais do menino.
Para Maria Eduarda, a obra do filho pode ser vista como uma nova linguagem contemporânea da arte, em que não precisa, necessariamente, ser uma representação de algo que existe. “Pode ser uma expressão de um sentimento, pode ser uma abordagem sensorial. Então, acredito que a arte do Mateus representa o que ele é, com a sua subjetividade, que vem do autismo”, frisa.
Sonho e realidade
Na avaliação dos pais de Mateus, ambos professores, a arte do garoto demonstra como ele enxerga o mundo ao seu redor, de forma abstrata: uma voz das pessoas neurodivergentes, um questionamento e uma reflexão contemporânea sobre o que significa a pintura para pessoas diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A exposição no Museu do Louvre, destaca Maria Eduarda, após sete anos de produção artística do filho, “é uma coisa inimaginável para a família”. Segundo ela, nesse período, pode-se perceber uma grande evolução de Mateus.
"É muito bom vê-lo alcançando o reconhecimento em outros locais, principalmente, num lugar como o Louvre. Nós ainda estamos processando o que está acontecendo, ainda não acreditamos. Só vamos realmente acreditar quando estivermos em Paris”, declara.
Habilidade desde cedo
A mãe de Mateus volta no tempo para descrever a trajetória do filho. “Ele começou a pintar quadros quando tinha dois anos e sete meses, logo depois de receber o diagnóstico de autismo. E foi por meio da arte que ele conseguiu enfrentar vários desafios e desenvolver as habilidades”. Ela complementa: “Como ele era uma criança não verbal, a pintura foi o seu hiperfoco, assim como foi o futebol em algum momento, mas a arte continua firme”, ressalta,
Maria Eduarda não tem dúvidas de que a pintura ajudou o menino a transpor muitas dificuldades. “Foi por meio da arte que Mateus começou a falar as primeiras palavras, a se socializar e a melhorar questões sensoriais e de seletividade alimentar. As terapeutas dele sempre viram na arte o meio para ajudá-lo a se desenvolver”, explica.
Ela considera que as fronteiras para uma pessoa neurodivergente estão além das geográficas, e que Mateus está conseguindo alcançar muitas pessoas através de sua arte. “Acredito que, cada vez mais, a arte o aproxima de um mundo neurotípico. A arte possibilita ao Mateus chegar nas pessoas e em outros universos, materiais e imateriais”, diz.
Para a mãe de Mateus, a exposição em um local como o Louvre é um claro sinal de que as portas estão se abrindo para a arte dele. “A pintura é a forma de ele expressar tudo que o não consegue nomear em palavras. A tela é por onde ele também fala”, assinala.