Traficante italiano de Rabo de Peixe foge no Brasil após romper tornozeleira

Antonino Giuseppe Quinci, responsável pela cocaína que foi encontrada na costa do arquipélago dos Açores em 2001, fugiu pela quarta vez. Ele estava em prisão domiciliar no Rio Grande do Norte.

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O traficante italiano Antonino Giuseppe Quinci, que estava em prisão domiciliar no Brasil, quebrou a tornozeleira eletrônica e fugiu. Nas prisões brasileiras, ele ganhou o apelido de Rabo de Peixe, localidade da Ilha de São Miguel, onde pacotes de cocaína apareceram boiando na praia Tiago Bernardo Lopes
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O traficante italiano Antonino Giuseppe Quinci, 69 anos, responsável pela cocaína que foi encontrada na costa do arquipélago dos Açores, em 2001, precisamente na vila de Rabo de Peixe, na Ilha de São Miguel, está foragido da Justiça brasileira, à qual prestava contas por vários crimes. Ele estava em prisão domiciliar e quebrou a tornozeleira eletrônica que usava e que permitia o monitoramento dele em tempo real. Foi a quarta fuga dele.

Nas prisões brasileiras e perante os tribunais, ele ficou conhecido pelo apelido de Rabo de Peixe. Segundo a Justiça brasileira, não se tem qualquer informação de Antonino desde 6 de agosto deste ano. O italiano, que havia cumprido pena no Brasil em regime fechado por tráfico de drogas, estava morando no município de Ceará-Mirim, no interior do Rio Grande do Norte. Já foi expedido um alerta internacional para detê-lo.

“Além de escapar da prisão de Ponta Delgada, no arquipélago português, Antonino também conseguiu escapar de uma cadeia no Brasil e de um presídio italiano antes de fugir agora da prisão domiciliar que cumpria no Nordeste brasileiro”, registrou comunicado das autoridades policiais.

Desta vez, o anúncio da fuga do traficante foi feito pelo escritor e empresário Rúben Pacheco Correia, autor do livro Rabo de Peixe — Toda a Verdade, a veículos de comunicação açorianos. Em janeiro deste ano, Antonino foi localizado e entrevistado pelo escritor dentro da cadeia pública de Ceará-Mirim. Ele considerou "tranquila" a vida do traficante atrás das grades, antes dele passar para a prisão domiciliar.

Segunda temporada

A ligação de Antonino com Rabo de Peixe, nos Açores, remete a 2001, quando uma embarcação na qual ele estava sofreu um acidente e mais de 700 quilos de cocaína em pacotes, que estavam no interior do barco, foram despejados no mar, chegando à costa da Ilha de São Miguel. A história desse derramamento de drogas nas praia do arquipélago português voltou ao noticiário com a série Rabo de Peixe (Mar Branco, no Brasil), cuja segunda temporada estreia em 17 de outubro, na Netflix.

A polícia do Rio Grande do Norte detalhou que a fuga do traficante Rabo de Peixe ou italiano, como ficou conhecido nos Açores, se deu na manhã de 6 de agosto. Apesar de inúmeras diligências para encontrá-lo, o paradeiro dele ainda é uma incógnita. "Antonino Giuseppe Quinci encontra-se evadido do sistema de monitoramento, configurando, em tese, a prática de falta grave nos termos do Art.50, II da Lei de Execução Penal", escreveram os agentes na nota judicial.

Caio Blat e Paolla Oliveira

O ator brasileiro Caio Blat, 45 anos, está na segunda temporada da série da Netflix. Em recente conversa com o PÚBLICO Brasil, ele contou que interpreta um traficante que quer recuperar o que sobrou das drogas. O personagem de Blat, chamado Fagner, é uma espécie de faz tudo de chefe do grupo, Ofélia, interpretada pela também brasileira Paolla Oliveira, 43.

“É como se eles fossem os responsáveis pela remessa de droga que se perdeu nos Açores”, disse o ator, adiantando que haverá um clima de sedução entre a dupla. “Fagner é como um capanga para a Ofélia, mas existe uma relação no ar entre eles”, afirmou. A Netflix informa que a obra, baseada em fatos reais, foi criada por Augusto Fraga. Na primeira temporada, exibida em 2023, a história se concentrou nos jovens pescadores que encontraram a cocaína boiando no litoral da vila de Rabo de Peixe.

Para Caio Blat, que passou três meses entre Lisboa e os Açores para gravar a atração, atuar em Rabo de Peixe foi a realização de um sonho. “Sempre tive esse sonho de fazer um trabalho legal em Portugal, de passar uma temporada maior, de conhecer diretores, escritores e artistas do país. Rabo de Peixe veio, exatamente, realizar esse sonho. E o diretor Augusto Fraga é um cara com uma cabeça incrível, com milhões de ideias”, elogiou.