Com que roupa eu vou? A resposta pode estar na inteligência artificial

Twiggy cria aplicativo com inteligência artificial para ajudar na escolha de roupas e acessórios. Startup brasileira com ferramenta plugada em sites de moda quer se instalar em Nova York.

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Ian Oliveira e Ariadne Alcântara, fundadores da Twiggy, que usa a inteligência artificial para escolher roupas no estilo do comprador Cortesia
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Vai a um casamento e precisa de uma bolsa que combine com sua roupa? Ou quer escolher um modelito que caia melhor em você. Resolver essas questões, que, às vezes, podem levar horas, é a proposta da Twiggy, startup criada em São Paulo que, a partir de uma imagem da roupa que a pessoa deseja, usa inteligência artificial para encontrar a vestimenta ideal.

Presente no Web Summit Lisboa deste ano, dentro da comitiva de 380 startups organizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a Twiggy está em processo de internacionalização. Além de visar o mercado europeu, a empresa pretende se instalar em Nova York em 2026. “É o maior mercado do mundo, vale muito a pena”, diz Ian Oliveira, 26 anos, um dos fundadores e CEO da startup.

Formado em marketing e com especialização em administração de empresas, o paulistano Ian viu na moda um futuro promissor. “Trabalhei no Shopping Iguatemi, em São Paulo, como diretor de Inovação. Eu lidava com marcas de moda e a shopping estava começando a transição digital. Meu contrato era para desenvolver o Laboratório Iguatemi 365, o marketplace deles”, relata, referindo-se à plataforma de comércio eletrônico do empreendimento comercial.

Quando a plataforma ficou pronta, o empresário Carlos Jereissati, proprietário do Iguatemi, separou o laboratório do shopping. “O laboratório deixou de fazer sentido para eles”, conta Ian. Encerrado o contrato com o centro comercial, o jovem passou a trabalhar como consultor, atendendo, inclusive, multinacionais como a Procter & Gamble.

Voo solo

Mas Ian queria ter o próprio negócio — e algo inovador. “E a escolha foi até por acaso. Todas as áreas que eu pensava, havia várias empresas atuando. Até que meu sócio, Murilo Costa, precisou trocar o guarda-roupa. Foi, então, que decidi apostar no mundo da moda”, lembra. Murilo é responsável pela área de tecnologia da Twiggy.

O capital inicial para tirar a startup do papel foi de 112,9 mil euros (R$ 700 mil). “Eu pretendia usar esse dinheiro para construir uma casa. Já tinha até o terreno. E fui falar com minha esposa, porque os recursos também eram dela. Ela não só disse que sim, como afirmou que queria fazer parte da empresa. Hoje, somos eu, ela e meu melhor amigo”, diz. Ariadne Alcântara é diretora de operações da startup.

Ian complementa: “A nossa ideia foi criar algo simples para os usuários, com recomendações pensadas para eles, utilizando inteligência artificial. Normalmente, os programas desse tipo usam termos que as pessoas não sabem o que significam”.

A ferramenta criada pela Twiggy, com base em inteligência artificial, utiliza fotografias das pessoas para escolher roupas e acessórios. “Se for uma foto da pessoa, pode propor roupas do mesmo estilo. Se quiser uma bolsa, vai apresentar soluções que combinem com a roupa”, assegura o empreendedor.

Investimentos e marcas

A ferramenta criada pela Twiggy fica alojada dentro dos sites das marcas que contratam os serviços da startup. “Atualmente, estamos na Michael Kors, dos Estados Unidos; da Anthropology, da Steve Madden, para o mercado europeu; e da Farm Rio, que tem um lance mais carioca. Nós começamos a atender a Farm Rio quando a empresa veio para Portugal”, assinala.

Criada em 2021, a startup já conseguiu captar R$ 5 milhões (806 mil euros) em investimentos. “Em 2022, nosso faturamento foi de R$ 4 milhões (645 mil euros). Em 2023, triplicamos as receitas, para R$ 12 milhões (1,9 milhão de euros). Depois, resolvemos reduzir um pouco a velocidade. Não crescemos 300%, mas 30%, para termos uma base sólida”, contabiliza Ian, cujo sonho é abrir o capital da startup, por meio de uma oferta inicial de ações (IPO), na Bolsa de Nova York.