Brasileiro lança livro que aborda “burnout” e incerteza na sociedade atual

Obra, que é o quarto livro do empreendedor paranaense Kauan Von Novack, conecta avanços tecnológicos, saúde mental e transformação social acelerada no mundo moderno.

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Kauan Von Novack lançou seu quarto livro: Unknown Unknowns – A Civilization Model Where We Don’t Know What We Don’t Know (Os Desconhecidos Desconhecidos - Um Modelo de Civilização Onde Não Sabemos O Que Não Sabemos, em tradução livre) Arquivo pessoal
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O empreendedor paranaense Kauan Von Novack lançou seu quarto livro: Unknown Unknowns – A Civilization Model Where We Don’t Know What We Don’t Know (Os Desconhecidos Desconhecidos - Um Modelo de Civilização Onde Não Sabemos O Que Não Sabemos, em tradução livre), obra que analisa os impactos da aceleração geométrica da sociedade contemporânea — em contraste com a antiga aceleração linear — e suas consequências sobre a vida humana, como o aumento de casos de burnout e doenças mentais.

Inspirado em reflexões sobre inovação, tecnologia e comportamento social, que ele fez nos últimos dez anos, a obra destaca, dentre outras ideias, que a incerteza se tornou uma das principais características dos nossos dias. A publicação também tem caráter social: os ganhos financeiros serão destinados a instituições de caridade, por meio da organização Anti-Slavery International, que combate a escravidão moderna.

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Capa do novo livro de Novack Reprodução

“Em português o livro se chama ‘Os desconhecidos desconhecidos’, que é uma frase do Donald Rumsfeld, secretário de Defesa dos Estados Unidos no governo George W. Bush. Ele fez um quadrante chamado ‘Quadrante de Rumsfeld’, onde existem coisas que você sabe que você sabe. Tipo: eu sei que eu sei falar português. Daí existem coisas que você sabe que você não sabe, por exemplo: eu sei que eu não sei falar mandarim”, reforça o escritor.

E complementa: “E tem coisas que você não sabe que você sabe, por exemplo eu não sei que sei me virar em uma situação X mas quando chega na situação X eu sei me virar. São coisas que você não está consciente que sabe. E existem coisas que você não sabe que você não sabe, que eles dizia que são os “cisnes negros”, as coisas que literalmente acontecem e a gente nem tem a capacidade de entender o que está acontecendo, a exemplo: a Inteligência Artificial nas nossas vidas nos últimos três anos”.

Experiência

A partir de sua experiência de quase duas décadas investindo em startups e acompanhando tendências tecnológicas, o autor afirma ter identificado uma mudança estrutural na forma como o mundo evolui. Segundo ele, a transição de um modelo de progresso linear — típico da Revolução Industrial — para um ritmo geométrico alterou profundamente a dinâmica social.

Ele afirma que a aceleração começou a ficar geométrica e que as janelas de mudanças estão acontecendo muito rapidamente. E que, a partir do que observou, isso se reflete na sociedade. “A sociedade foi criada na base de certezas e o que acontece com a sociedade quando você simplesmente não sabe o que você não sabe, onde incerteza se torna regra? E esse é o pilar do livro”, acrescenta Kauan.

A obra, à venda na Amazon, também dialoga com as ciências humanas, influenciada por uma orientação do historiador Yuval Noah Harari. Kauan destaca que, há três anos, assistia uma palestra do escritor israelense, falou a ele da ideia do livro. E ouviu como resposta: “mas não escreva para a sua bolha, não escreva um livro de business. Escreva um livro de humanidades”. Depois disso, o brasileiro, que pensava em escrever uma obra técnica, voltou-se para um perfil mais sociológico e antropológico. “O que vai acontecer amanhã? Os nosso país, avós, bisavós sabiam o que ia acontecer amanhã. Por exemplo: trabalhavam na lavoura ou na cidade, como sapateiros, ferreiros e sabiam que amanhã tinha que fazer tal coisa. E hoje em dia a gente não sabe mais”.

Efeitos psicológicos

Entre os conceitos apresentados está o que o autor chama de “tristeza da disrupção”, associada aos efeitos psicológicos da transformação constante: os muitos casos de burnout e doenças mentais que podem estar relacionados à mudança muito rápida da sociedade.

O livro também aborda diferenças individuais na capacidade de adaptação às mudanças. Kauan detalha que existem pesquisas que mostram a existência de uma parcela da população que é geneticamente predisposta a “se dar bem”, a conseguir a lidar com sucesso com a mudança contínua e que, por outro lado, há uma parcela da população que não é geneticamente predisposta a lidar com mudanças aceleradas.

Após um intervalo uma década desde sua última publicação, Kauan afirma que o novo livro é resultado de um período de dez anos de observação e reflexão, que foram canalizados para a concepção da obra. O lançamento ocorre inicialmente em formato digital, com previsão de lançamento também em versões físicas e traduções para outros idiomas. “O livro foi lançado na Amazon online e já temos acordos de tradução para português de Portugal, português do Brasil, alemão e japonês. E o lançamento em português vamos fazer dia 17 de junho, em um evento nosso em Aveiro”.

Na prática

Além da reflexão teórica, o autor também descreve iniciativas práticas ligadas à construção de uma “nova civilização” baseada em inovação, incluindo projetos urbanos, hubs empresariais e tecnologias emergentes. O livro, diz o empreendedor, também carrega um propósito social. Parte da receita será destinada ao combate à escravidão contemporânea.

“Pessoas na nossa bolha nem conseguem imaginar que isso existe e mais do que a gente imagina, e o Anti-Slavery International está fazendo um trabalho magnífico em desmantelar isso. Todo mundo entende que grandes corporações precisam de margem para operar e no mundo de hoje é muito complicado, mas nada justifica o trabalho escravo”. Segundo o autor, mais do que uma análise, a obra propõe uma provocação: como reorganizar a sociedade em um contexto em que a única certeza é a mudança contínua.

Kauan von Novack nasceu em Curitiba e, aos 14 anos de idade, saiu da casa dos pais para empreender. Começou criando sites para empresas e hoje, 23 anos depois, é o CEO da Hypernova, que junta o projeto Acelera Portugal em Aveiro, região Centro do país. A Hypernova impulsiona um hub de inovação, especializado em tecnologia e no crescimento de startups.