Startup brasileira de telemedicina planeja expansão em Portugal

Criada pelos médicos Wilson e Carolina Zatt, a empresa Lauduz negocia com parceiros de Portugal e vislumbra a possibilidade de dar suporte ao Sistema Nacional de Saúde com sua tecnologia.

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Wilson e Carolina Zatt, fundadores da startup Lauduz, querem entrar no mercado de saúde de Portugal Divulgação
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A Lauduz, startup fundada pelos médicos Wilson Baldin Zatt e Carolina Paim Fernandes Zatt, planeja expandir sua atuação para Portugal, após consolidar presença em 16 cidades brasileiras. A empresa negocia parcerias em território luso e vislumbra a possibilidade de dar suporte ao Sistema Nacional de Saúde (SNS) com sua tecnologia no sentido de reduzir filas e tempo de espera por atendimento, especialmente entre idosos, de acordo com o médico. Criada em 2020, durante a pandemia de Covid-19, a startup desenvolveu o Telekit, uma maleta que, segundo ele, torna qualquer ambiente em uma espécie de “consultório digital portátil”.

De acordo com Wilson Zatt, a estratégia internacional, surge paralelamente à expansão nacional, impulsionada por um aporte recente de R$ 5 milhões. O dinheiro foi captado junto à holding paranaense Quartzo Capital, que gere recursos do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses).

“Nosso objetivo com esse dinheiro é expandir a companhia no Brasil e na parte da saúde pública na região Sul do país. Entretanto, depois da nossa participação no Web Summit Lisboa, em novembro de 2025, vimos que há uma oportunidade em Portugal na saúde pública, principalmente em áreas mais afastadas, como as aldeias”, afirma o médico e empreendedor.

Wilson destaca que, embora o foco inicial dos recursos seja o Brasil, o cenário português se apresenta como porta de entrada da startup para o mercado europeu. “A ideia é começar por Lisboa ou Aveiro, pelas muitas startups que lá estão e pelos recursos que podemos angariar lá. Estamos avaliando, mas com prioridade para Lisboa e Aveiro”, afirma ele.

Projeto voluntário

A Lauduz foi criada a partir de um projeto voluntário que conectava médicos a pacientes em isolamento durante a pandemia em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A experiência, no entanto, revelou limitações dos modelos tradicionais de telemedicina, baseados apenas em vídeo, o que levou ao desenvolvimento do Telekit, conforme detalha Wilson Zatt.

“Hoje a gente tem uma estrutura tecnológica completa, que permite o atendimento por médicos especialistas e também generalistas através de nossa plataforma, que dá suporte na realização dos exames. Ela consegue, por exemplo fazer a ausculta, ouvir o coração de forma remota, avaliar o pulmão, a pressão, a temperatura, e também faz a avaliação do feto”, diz ele, no caso de obstetrícia.

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Sistema dentro de uma maleta consegue fazer diagnósticos à distância de pacientes Divulgação

O sistema, ele continua, se conecta com vários dispositivos e consegue avaliar o paciente, mesmo que o médico não esteja junto, presencialmente. A tecnologia permite ampliar o alcance do exame físico, inclusive em populações mais vulneráveis, como idosos. Muitas vezes, diz ele, o paciente já não consegue explicar exatamente o que está sentindo e a ferramenta amplia o potencial do exame físico, mesmo digitalmente. E o médico recebe os dados processados pelo sistema.

Projeto aprimorado

O projeto foi aprimorado ao longo dos últimos anos, incorporando novos dispositivos e funcionalidades. “Desde a pandemia, melhoramos bastante o sistema. Naquela época, cinco, seis anos atrás, só tínhamos o software. O médico só via o paciente pelo vídeo. E, desde então, conseguimos desenvolver a maleta com equipamentos médicos conectados ao software e que permite exames mais completos. Avaliamos ainda garganta, lesões, pele. É realmente uma tecnologia muito inovadora na telemedicina”, frisa.

A solução integra hardware, software e inteligência artificial para apoio à decisão clínica. E a IA, ele informa, é uma ferramenta que dá suporte ao médico e atua também como complemento da solução. Destaca ainda que o Telekit reúne dispositivos como estetoscópio digital, eletrocardiograma e medidores de sinais vitais, permitindo consultas completas à distância, com emissão de laudos e receitas.

Os aparelhos são integrados a um sistema em nuvem que permite a realização de consultas com exame físico remoto em tempo real, além de emissão de laudos, receitas e atestados com assinatura digital válida em todo o território nacional. “Com essa solução, conseguimos levar atendimento médico de qualidade para localidades remotas, ajudando os municípios a reduzir filas de espera, além de garantir diagnósticos mais ágeis e maior qualidade de vida para pacientes e médicos”, afirma Carolina Zatt.

Parceria pública

Atualmente, a startup registra cerca de 2 mil atendimentos mensais e mais de 17 mil consultas realizadas em 2025. A solução já foi avaliada, segundo Wilson, mais de seis mil vezes com Net Promoter Score (NPS) com 99 pontos em uma escala de 0 a 100. O crescimento da empresa também é sustentado por investimentos como os do Fundo Soberano do Espírito Santo.

Ele informa que essa tecnologia seria um importante aliado do Serviço Nacional de Saúde de Portugal, funcionando como um suporte para reduzir filas e tempo de espera por atendimento. “Vamos propor ser um parceiro estratégico do SNS, como uma healthtech tecnológica, e oferecer a Portugal essa expertise, o que já fazemos com o Sistema Único de Saúde no Brasil (SUS)”, afirma.

Wilson Zatt complementa: “Pretendemos ajudar Portugal a enfrentar o envelhecimento da população com um apoio médico qualificado, com a tecnologia do software e da maleta. Realmente acreditamos que podemos nos tornar um parceiro estratégico relacionado à saúde de Portugal”, frisa.