Corretores de imóveis do Brasil buscam conhecimento em Portugal

De olho no bom desempenho do mercado imobiliário português, um grupo de 228 profissionais brasileiros passou uma semana no país, para troca de experiências.

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Corretores e empresários brasileiros procuram entender como um país tão pequeno, como Portugal, consegue ter um mercado imobiliário tão pulsante Arquivo pessoal
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Um grupo de 228 empresários e corretores brasileiros passou a última semana de março em Portugal para beber da fonte do conhecimento acumulado por profissionais que atuam no mercado imobiliário local. Apesar de o país europeu ser quase do tamanho do estado de Santa Catarina, é considerado um dos mais promissores do momento, tamanha a demanda por moradia. Segundo o CEO da RE/MAX Brasil, Peixoto Accyoli, dentro do grupo que está presente em mais de 120 países, Portugal registra a terceira melhor operação, atrás somente de Estados Unidos e Canadá.

“Há tempos temos apostado em ações de benchmarking. Portugal é hoje a melhor operação da RE/MAX na Europa e a terceira no mundo. Entender os fatores que levaram a esse sucesso em um país com pouco mais de 10 milhões de habitantes pode nos ajudar a replicar e adaptar as melhores práticas ao nosso cenário “afirma o executivo. “A troca de experiências é fundamental para trazer know how aos nossos brokers, franqueados e corretores”, acrescenta.

A aproximação entre os profissionais busca criar sinergias entre os mercados dos dois países, diante do fluxo intenso de brasileiros para Portugal, que tem sustentado o mercado imobiliário luso, especialmente no segmento de luxo. “Do Brasil, podemos assessorar interessados em adquirir imóveis em Portugal, o que já tem acontecido”, afirma Accyoli. Já, do lado dos portugueses, há o suporte para aqueles que desejam comprar ou mesmo alugar algo no Brasil e, sobretudo, explorar oportunidades de negócios no país.

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CEO da RE/MAX Brasil, Peixoto Accyoli vê complementariedades entre os mercados imobiliários brasileiro e português Vicente Nunes

Não se pode esquecer, segundo o executivo, que três grandes players da RE/MAX de Portugal estão presentes no Brasil: os grupos liderados por Manuel Alvarez, cujos negócios se espalham pelos estados de Alagoas, Sergipe e Pernambuco; por Pedro Fonseca, que tem partes dos mercados de São Paulo e do Rio de Janeiro; e por Paulo Caiado (SIImGroup), com raízes fincadas em Minas Gerais, com exceção da Zona da Mata. “É preciso entender que, no Brasil, a atuação da empresa se dá de forma regionalizada. São 16 macrorregiões, cada uma com um master franqueado”, detalha Accyoli.

Relação de confiança

Nos últimos 12 meses, a RE/MAX registrou vendas de 2,1 bilhões de euros (R$ 12,5 bilhões) no Brasil. O grupo é composto por 630 franquias e 10 mil associados. “Enquanto, em Portugal, o mercado é nacional, no Brasil, os negócios são muito locais, de imobiliárias de bairro. O que temos feito é trazer essas pequenas empresas para no nosso ambiente, carregando a nossa bandeira e se adequando aos nossos princípios éticos. Para isso, apenas no ano passado, realizamos mais de 2,2 mil cursos a fim de garantir o controle de qualidade”, explica o CEO no Brasil. “Estamos falando de um mercado em que a confiança é fundamental, tanto do lado do vendedor quanto do comprador do imóvel”, ressalta.

Accyoli acredita que a troca de conhecimento entre corretores e empresários brasileiros e portugueses terá efeitos positivos em ambos os lados. “Vemos esse processo como um controle de qualidade. Dos 228 profissionais que saíram do Brasil em direção a Portugal, 70% nunca tinham viajado para o exterior. Portanto, também estamos proporcionando uma experiência de vida”, salienta. Para ele, as oportunidades nos dois países são complementares, com boas perspectivas de rentabilidade. “Todos só têm a ganhar com essa parceria”, complementa.