Azul é obrigada a substituir avião da EuroAtlantic em voo do Recife para Madri
Secretaria Nacional de Aviação Civil do Brasil obriga Azul a retirar de circulação um Boeing 767 que havia alugado da EuroAtlantic para, depois de duas falhas, levar passageiros do Recife para Madri.
Os viajantes que se animaram com o lançamento, pela Azul, da rota ligando o Recife, capital de Pernambuco, a Madri, na Espanha, passaram um grande sufoco. As duas primeiras tentativas do voo inaugural foram canceladas devido a problemas no avião de propriedade da empresa portuguesa EuroAtlantic, alugado pela companhia brasileira. Foi preciso a intervenção da Secretaria Nacional de Aviação Civil do Brasil para que os passageiros conseguissem cruzar o Atlântico, em 13 de junho, três dias depois da data marcada.
Por determinação das autoridades brasileiras, a Azul foi obrigada a abrir mão do Boeing 767 bem antigo da Euro Atlantic e recorrer a um Airbus A330 da sua frota. Diante da demora da companhia para resolver os problemas, vários passageiros desistiram de viajar, a despeito de terem planejado tudo com antecedência.
A intervenção para que a Azul realizasse o voo com uma aeronave adequada ficou por conta do secretário Nacional de Aviação Civil, Tomé Franca. Ele exigiu que a empresa agisse com a maior brevidade possível, pois não era justificável que não houvesse um plano alternativo para transportar os passageiros que haviam pagado pela viagem.
Questionada pelo PÚBLICO Brasil sobre o cancelamento dos voos do Recife para Madri, a Azul enviou três diferentes notas oficiais. Na primeira, referente a 10 de junho, a companhia alegou que houve "problemas técnicos" e que o avião retornou para o aeroporto dos Guararapes. "O pouso ocorreu sem qualquer intercorrência, e os clientes foram desembarcados normalmente e em total segurança", recebendo a devida assistência.
Na segunda nota, a Azul acrescentou que um outro voo estaria sendo programado, sem especificar em qual aeronave os passageiros embarcariam. Foi depois da intervenção da Secretaria Nacional de Aviação Civil que a companhia emitiu a terceira nota, na qual, pela primeira vez, admitiu que uma nova aeronave havia sido deslocada para levar os viajantes a Madri.
Estado precário
O avião que teve os voos abortados é um Boeing 767-300ER, matrícula CS-TST, que, conforme apurou o PÚBLICO Brasil, havia voado da Guiné-Bissau, na África, para Lisboa e, em seguida, para o Recife, sob código de referência 9753. Com 22 anos de uso, a aeronave já tinha registrado problemas, acumulando queixas de passageiros devido ao estado precário dos equipamentos internos, como cadeiras quebradas.
O PÚBLICO Brasil apurou, ainda, que, nos dois voos que foram abortados, o avião da EuroAtlantic havia enfrentado problemas nos flaps (abas existentes nas asas que servem para decolar e aterrissar) logo após as duas decolagens no Recife. A aeronave precisou ficar voando em círculos sobre o mar para queimar combustível e reduzir o peso antes de regressar em segurança ao aeroporto.
Na terceira nota emitida pela Azul, a informação foi que "a tripulação do voo AD8000 (Recife-Madri) operado pela EuroAtlantic Airways, solicitou retorno ao aeroporto de Recife, devido a questões técnicas". Segundo a companhia, "a decisão foi dada de forma preventiva, de acordo com protocolos de segurança operacional".
O tão esperado voo decolou, efetivamente, em 13 de junho, e, de acordo com a Azul, "todos os clientes foram devidamente assistidos, conforme previsto na Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)".