Fundo tem 3 milhões de euros para investir em startups: 8 mil se candidatam

Das empresas inscritas no Acelera Portugal, 700 são portuguesas e 3,5 mil brasileiras. Fundo administrado pela Octanova selecionará 200, sendo 15 na primeira etapa.

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Instituição financeira lança fundo para investir em startups. São 3 milhões de euros na etapa inicial DADO RUVIC / REUTERS
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O município de Aveiro dá mais um passo no sentido de se transformar num hub europeu para startups. A cidade, que fica distante cerca de 260 quilômetros de Lisboa, abriga o programa Acelera Portugal, que recebeu inscrições de 8 mil empresas, das quais 700 portuguesas e 3,5 mil brasileiras, em busca de financiamento. Desse total, serão selecionadas 200 para receber apoio do fundo de investimentos Flywheel Fund, administrado pela Octanova.

O objetivo inicial do fundo, segundo o brasileiro Kauan Von Novack, representante da instituição financeira, é que as 200 startups se instalem em Aveiro e criem um ecossistema capaz de acessar, com ajuda dos investimentos, o mercado da União Europeia. “Já temos 3 milhões de euros captados e destinados às primeiras 15 empresas ainda em 2025”, diz ele.

“Não há certeza de que todas as startups serão absorvidas pelo fundo, pois, no mundo de hoje, a certeza é um conceito que já morreu”, afirma Novack. Para ele, a expectativa, particularmente, dos brasileiros, é de entrar no mercado europeu, porque, “no mundo de startups, cada uma tem que competir internacionalmente para se estabelecer”.

Gerente de negócios da Octanova, Sônia Magalhães acredita que a capacitação de empreendedores por meio de estratégias inovadoras e soluções financeiras estruturadas é o prenúncio de um alto crescimento das startups que participam do projeto. “Um grande problema é que as startups brasileiras consideram o Brasil um mercado suficiente para se desenvolver e não precisam se internacionalizar. Isso é um erro”, pontua.

Competição global

Novack destaca, por sua vez, que, em uma competição global por acesso a capitais, enquanto uma empresa brasileira levanta 1 milhão de reais no mercado local, uma da Alemanha capta 1 milhão de euros. "Ou seja, a empresa alemã com 1 milhão de euros tem quase 7 milhões de reais no Brasil para competir”, compara.

Para o empresário, no atual momento econômico, em que as taxas de juros estão muito elevadas — 15% ao ano —, e com instabilidade política, investir no exterior é uma boa alternativa para uma startup brasileira. Mas ele observa que existem poucas plataformas alinhadas e bem definidas para que esse projeto seja viável e interessante.

Na avaliação de Novack, essa partida por intermédio de Portugal tem se constituído em uma solução mais do que viável. “Falamos a mesma língua, temos uma cultura levemente similar e, antes de entrar em mercados maiores, como Itália, França e Espanha, que são mais robustos e com culturas diferentes, se torna uma entrada mais gradual e eficiente”, explica. Ele acrescenta que as fontes do capital para as startups são originárias do Oriente Médio, Países Baixos, Brasil, África do Sul e também de Portugal

Aveiro como hub

Em abril passado, ocorreu em Aveiro a FutureXPO, que reuniu 50 startups brasileiras e 75 portuguesas e investidores interessados em inovação. A meta foi reter mão de obra qualificada, multiplicando as oportunidades, atraindo jovens talentos e projetos inovadores.

Para Simão Calado, diretor da Ibero Partners, tem se percebido, em Aveiro, uma propensão para a inovação, devido ao parque de ciência e tecnologia ali instalado, com apoio da universidade local e com a criação da zona livre tecnológica. "Aveiro é uma região atrativa para empresas nacionais e internacionais que estão disputando mercados, com vistas a se instalarem na Europa", frisa.

Especializada no apoio à internacionalização de empreendimentos, a Ibero Partners trouxe recentemente para Portugal a Startupbootcamp, que nasceu na Holanda e tem se posicionado como uma das maiores aceleradoras de empresas da Europa e do mundo. “Trata-se de um marco na região, pois, a partir de Aveiro, a empresa tem tudo para ampliar a estratégia de alavancar seus negócios", afirma Calado.

No entender dele, nos últimos dois anos, foi desafiador montar um plano de negócios para a instalação da aceleradora de empresas em Portugal com o objetivo de atender os mercados. “Mostramos, na FutureEXPO, oportunidades para investimentos qualificados de startups e de criação de um ecossistema de inovação”, ressalta.