Multimilionário brasileiro lança vinho do Porto de 150 anos: 10 mil euros a garrafa
Enólogos da empresa percorreram toda a região do Douro em busca de vinhos envelhecidos, com os quais chegaram ao Very Very Old. São apenas 200 garrafas, vendidas sob encomenda.
O multimilionário brasileiro Ruben Menin, que já investiu 65 milhões de euros na Menin Douro Estates, vinícola instalada no Norte de Portugal, lançou, nesta terça-feira, 10 de março, o seu projeto mais ambicioso no país europeu: um vinho do Porto de 150 anos. São 200 garrafas que serão vendidas por encomenda a 10 mil euros cada. "É uma preciosidade", diz ele ao PÚBLICO Brasil. "Estamos falando de um vinho com muita história, que passou por duas guerras mundiais", acrescenta.
Menin ressalta que, para chegar ao Very Very Old Tawny, foram meses de trabalho. Os enólogos da empresa percorreram toda a região do Douro, visitando famílias produtoras e provando vinhos guardados por longos períodos. Sua empresa foi comprando tudo o que foi selecionado e estocando até chegar a uma quantidade da bebida que pudesse ser comercializada. Ao longo do processo, os enólogos preparam a mistura que resultou no novo produto. As garrafas são de cristal, com design arrojado.
Antes de chegar ao Very Very Old Tawny, a Menin Estates colocou no mercado uma sequência de vinhos do Porto, a mais recente, de 80 anos, cuja garrafa custa 1600 euros. "O nosso objetivo é contribuir para que o vinho do Porto seja cada vez mais consumido no mundo", frisa, destacando que, depois de visitar muitas regiões vinícolas do mundo, escolheu o Douro como local ideal para investir.
Menin desembarcou no setor vinícola de Portugal há oito anos. Desde então, construiu uma adega e revitalizou áreas que estavam degradadas. A produção foi crescendo gradualmente até atingir a marca de 600 mil garrafas em 2025, com mais de 40 rótulos da Menin Estates e da Horta Osório. Da produção, pouco mais de 50% ficam em Portugal, 30% seguem para o Brasil e o restante é exportado para Estados Unidos, Malásia, Suíça, Luxemburgo e Dinamarca, entre outros países.
Brasil é alvo
Segundo Fasia Braga, diretora-geral da Menin Douro Estates, os planos para o futuro são ambiciosos. No ano passado, a taxa de crescimento foi de dois dígitos. "E a nossa meta é ampliar as exportações, que, em 2025, atingiram 2 milhões de euros", frisa. Ela faz questão de ressaltar que a vinícola, apesar de pertencer a um empresário brasileiro, é totalmente portuguesa, com raízes fincadas no Douro. "Essa região tem nos oferecido muito e sabemos da nossa responsabilidade em cuidar desse patrimônio", assinala.
As apostas da empresa são de que, até 2030, o Brasil passe a ser o seu principal mercado, absorvendo pelo menos 50% da produção. "O consumo de vinhos no Brasil vem crescendo ano a ano, mas há um grande potencial a ser explorado. Enquanto em Portugal o consumo per capita de vinho é de 60 litros por ano, no Brasil é de apenas 2,8 litros", compara. Ela diz ainda que os vinhos portugueses têm ótima aceitação entre os brasileiros, disputando a liderança do mercado com os vinhos argentinos.
Fasia detalha, porém, que a Menin escolheu atuar num mercado mais premium e a resposta tem sido positiva diante do crescimento acelerado dos negócios. "Os brasileiros, por exemplo, têm estudado mais sobre a bebida, e isso se reflete no consumo de produtos de mais qualidade", afirma, reforçando que a vinícola produz tudo o que vende. "A exceção é o vinho do porto envelhecido, como o que compramos e deu origem ao Very Very Old. Nesses casos, os nossos enólogos fazem um verdadeiro trabalho de arqueologia", comenta.
Rubens Menin, que é dono da maior construtora de imóveis do Brasil, a MRV, garante que, por enquanto, vai concentrar seus investimentos em Portugal no mercado de vinhos. "Sempre fui um apaixonado por vinhos e sabemos que temos muito a fazer no Douro", assinala. Nem mesmo sua outra paixão, o futebol, o motiva a seguir por rumos mais diversos em território português. "No futebol, já me basta o Atlético Mineiro, que me dá bastante trabalho", frisa.