Os leitores são a força e a vida dos jornais. Contamos com o seu apoio, assine.
Os leitores são a força e a vida do PÚBLICO. Obrigado pelo seu apoio.
Professor e pesquisador do Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa
Não quero mero entretenimento mórbido ou simples choques visuais ao ler comentários boçais. Ao me manter longe das redes sociais, como imigrante e gay, eu preciso saber o que ainda não sei.
Se no próximo inverno você me ver na rua usando um blusão de lã, saiba que ele estará, como eu próprio, cheio de remendos. Mesmo que você não perceba.
Que resposta daria alguém como eu, ou como Billy Elliot, que “ascendeu”, mas não o suficiente para trazer consigo todos aqueles que um dia nos ajudaram a estar onde estamos?
Penso nele como um poeta envelhecido, com os quase 70 anos que teria hoje. Se vivo, quem sabe eu o encontraria, num dia qualquer, em uma esplanada a beber café?
Sou como um produto de exportação que, por não admitir menos que um continente aberto, trabalha com arte europeia. E faço isso a partir deste trânsito antropofágico que, às vezes, também me espanta.
Me sinto, todos os dias, aonde quer que eu vá, cercado pela coreografia mortífera destes bonecos feios, cafonas, ridículos, cruéis, monocórdicos e de mau gosto.
Pego o metrô, vou aos museus, sento-me nos bancos das praças e jardins, vou e venho da universidade no Bloomsbury, e penso baixinho: seria esta a oportunidade de repovoar Londres com outras memórias?
Por alguns minutos, pensei que agora é a própria cidade que se agarra a qualquer vislumbre de um futuro no qual ainda possa ser um lugar para o imigrante e para o português que ainda ali moram.
No Brasil, a crônica é um gênero forasteiro, de origem europeia, mas que, nas mãos de Machado de Assis, João do Rio, Clarice Lispector e tantos outros, se aclimatou, cresceu e deu belos frutos.
Ocorreu um erro aqui, ui ui