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Escritora e psicanalista
Discursos reacionários se articulam, aqui e agora, para submeter os destinos e corpos das mulheres às normas de recato e dominação de que elas lutaram tanto para se emancipar.
Minha esperança é que a literatura, pela sua capacidade de estimular a introspecção e a reflexão, seja uma semente, guardada nas bolsas dos visitantes da FLIP.
O avanço do feminismo deu às mulheres a chance de ocupar novos lugares sociais. Cabe aos homens se interrogar quais lugares eles pretendem ocupar nesse novo rearranjo.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa se esforçou para impedir a repetição dos erros que conduziram ao holocausto nazista e à monumental destrutividade perpetrada pelo conflito. Isso mudou?
As culturas europeias se constituíram a partir do recalque de pulsões agressivas e sexuais consideradas ameaçadoras ao convívio social.
O brasileiro não é mais o de torna-viagem, o português emigrante. É o imigrante do Brasil, feito da mesma carne humana que atravessa o Atlântico, sonhando e buscando uma vida melhor.
Eu, que queria brincar de ser autora da vida, escrevendo-me nos acontecimentos, me comovi ao ser rebatizada por um grande poeta.
Mas é mais trágico do que cômico que a rede social criada por Trump, usada para amplificar as suas mentiras, seja chamada de Truth. O uso trumpista do discurso é um estupro da linguagem.
Quanto mais nos odiamos, mais enchemos de dinheiro os bolsos de meia dúzia de empresários, donos dessas mídias antidemocráticas travestidas de espaços de liberdade.
Enquanto muitos chefes de Estado fazem coro à ladainha de que a guerra é inevitável, acumulando e aprimorando armas para garantir mais segurança, Sánchez teve a coragem de dizer não à guerra.
O Brasil contém empatia e crueldade. Doçura e violência. Contém as contradições humanas, elevadas à máxima potência.
“Nossos corpos também são pátria”, reza um verso da canção Esquinas, do multiartista português Dino D’Santiago, filho de imigrantes cabo-verdianos.
Não é à toa que os ditadores odeiam os artistas. Talvez a arte, ou o tipo de arte que mereça esse nome, seja uma arma capaz de matar não os fascistas, mas o ideário do fascismo.
O dia da nossa morte não se encerra na geometria quadrilátera dos calendários. Cada vez que marcamos o xis num quadradinho, é mais uma morte e mais uma vida. Mais uma chance que nos espera.
Num planeta habitado por oito bilhões de humanos, o desafio é inventarmos meios de travar a nossa autodestruição, mesmo cientes das nossas contradições.
Somente em 2024, os imigrantes contribuíram com 3,6 bilhões de euros para a Segurança Social, cinco vezes mais que o valor que receberam. Por que forjar a falácia de que eles são sanguessugas?
A vulnerabilidade física e psíquica das crianças justifica que a Lei responsabilize a família, a sociedade e o Estado pela proteção à infância.
Diante da brutalidade do real, a única via de elaboração possível é simbólica. Há que se debater, falar, buscar alternativas à estratégia falida de manter o Estado em guerra contra os cidadãos.
Parece um clichê pensar nas Letras ou na literatura como uma solução para um dos maiores problemas humanos: a dificuldade de tolerar e conviver com a alteridade, matriz dos piores ódios e guerras.
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