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Jornalista e pesquisadora
Em tempos de inteligência artificial, quanto mais fácil se torna fabricar versões da realidade, mais importante se torna sustentar quem ainda tem como profissão verificá-las.
O avanço da IA revela um paradoxo: quanto mais sofisticados os modelos, maior sua dependência da produção intelectual humana.
A próxima crise da inteligência artificial não será nos fazer acreditar numa mentira. Será nos fazer sentir saudade de algo que nunca existiu.
A transparência sobre uso de IA deixa de ser detalhe técnico e passa a ser tema democrático. A IA não criou manipulação política, o que fez foi industrializar capacidade de produzir percepção social.
Na série Black Mirror, no episódio Be Right Back, uma mulher interage com uma versão sintética do parceiro morto. Em 2013, quando foi lançado, parecia extremo. Hoje, soa como um ensaio.
A inteligência artificial pode até acelerar processos. Mas ainda depende de algo que não se automatiza: visão.
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