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Linguista
O Brasil não se fragmentou e o sentimento de pertencimento, ainda que artificial, construído e imposto, acabou se tornando realidade, pelo menos quando há Copa do Mundo e a Seleção entra em campo.
Aprenderá a humanidade algo com tudo isso que estamos agora a viver? Não o creio e sou otimista, mas acredito sim que alguns indivíduos aqui e ali irão aprendendo muito e se transformando para melhor.
É uma armadilha tratar cultura como erudição sendo ela um campo de tensão e poder. O choque cultural brasileiro está sempre naquilo que vemos no outro, mas não o enxergamos em nós.
O Brasil é erro ou destino? Rasgar a superfície das frases prontas, desconfiar de soluções fáceis e “esperançar” o futuro são movimentos que exigem pensar em quem somos no fluxo do tempo.
A língua portuguesa é um espelho das tensões sociais e históricas do Brasil. Do contraste colonial à herança da escravidão, da educação formal que, na sua prática, prioriza a norma culta.
Trazemos a cisão como uma característica que nos define. Assim, precisamos pensar duas vezes antes de falar. No Brasil ou em Portugal, as palavras escapam a quem as diz e revelam valores sociais.
O fim legal da escravidão não desfez desigualdades estruturais. O racismo construiu o próprio discurso e modelou a identidade de nações, reforçando a marginalização socioeconômica da população negra.
A dificuldade de definir o “fazer o bem” nos coloca entre dilemas éticos e a contemporaneidade. O que nos salva? O sentido da doação e a língua portuguesa.
De um gesto banal no supermercado às dores do mundo, a reflexão sobre como resistir à indiferença que ameaça transformar sofrimento em rotina.
O caso Vini Jr. revela-nos a naturalização do preconceito no cotidiano português, porque o futebol não é uma bolha isolada da realidade, mas a tradução do que essa sociedade pensa e faz.
O carnaval é a metáfora de um povo que se reinventa pelo “ziriguidum”. Vindo do lundu, o ritmo aproxima samba e fado e revela um modo de pensar a realidade, que desafia a exclusão com criatividade
Algumas ofensas não podem ser relativizadas como expressão individual, pois envolvem processos históricos de desumanização e exigem responsabilidade ética.
As palavras nunca dizem apenas o que aparentam: carregam contextos, intenções e silêncios que moldam sentidos, conflitos e julgamentos sobre a realidade.
O excesso de informação, o senso comum e a falta de pensamento crítico dificultam atitudes éticas diante da linguagem, fazendo com que todos nós corramos o risco de não ser o que éramos.
A língua portuguesa se transforma, produzindo diferenças naturais entre Brasil e Portugal. Evolução dos termos “apelido” e “sobrenome” ilustra como fatores culturais moldam a vitalidade do português.
A língua portuguesa como organismo vivo constrói e reconstrói a nossa experiência com a realidade, produzindo cultura e nos surpreendendo em sua capacidade criativa de preservar-se e de se reinventar.
Quando a linguagem suaviza a injustiça, mostra-se a face simbólica e violenta da cultura. Linguagem e símbolos moldam poder, identidades e a percepção do que é aceitável na sociedade.
Um diálogo entre Baturité e Mathias sobre um sistema construído para favorecer poucos e oprimir a maioria. Qualquer semelhança, é mera coincidência.
Quando corrigir é mais sobre quem fala do que sobre o que se diz.
O futuro da cultura em língua portuguesa reside na sua capacidade de celebrar o diálogo e a diversidade, garantindo que as múltiplas vozes que a compõem sejam ouvidas.
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