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Analista de política internacional e mestre em Relações Internacionais pela New York University
Uma democracia funcional precisa ser capaz de discutir problemas sem transformar grupos inteiros como culpados. Quando problemas legítimos criam culpados fáceis, a história deveria servir de alerta.
Quem mais capitaliza politicamente com episódios como os de Ceuta é a extrema direita, pois reforça uma narrativa de insegurança e de endurecimento das políticas migratórias.
Democracias não se medem apenas pelas leis que aprovam, mas pela capacidade de proteger seus cidadãos quando o ódio tenta ocupar o espaço da política.
Enquanto Washington exige do Irã restrições severas ao enriquecimento de urânio, aceita flexibilizar exigências históricas para um aliado estratégico, a Arábia Saudita.
Com as eleições legislativas de meio de mandato este ano nos Estados Unidos, o custo político de uma guerra prolongada pesa para Trump tanto quanto o custo estratégico e financeiro.
Independentemente de quem ocupe o poder, há a constante que atravessa a história recente do país: a cada nova crise política, econômica ou humanitária, o preço mais alto é pago pelo povo venezuelano.
Se durante a década passada a desigualdade dominava as campanhas eleitorais nos países latinos, hoje a segurança pública, a corrupção e a desconfiança nas instituições ocupam posições centrais.
O Sul do Líbano não está em paz. E chamar a proposta negociada com Israel de cessar-fogo talvez seja apenas uma maneira mais confortável de fecharmos os olhos e aceitarmos a barbárie.
Defender jornalistas não é defender uma profissão, é defender o direito da sociedade de saber, questionar e participar. Continuar informando também se tornou uma forma de resistência.
Talvez, o elemento mais inquietante da crise gerada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã não seja o que sabemos, mas justamente o que não sabemos.
A prisão de Andrew Windsor, ex-príncipe britânico, em meio às novas revelações ligadas ao caso de Jeffrey Epstein, não é apenas um episódio jurídico. É um símbolo.
Cerca de 90% dos investimentos concentram-se em cânceres femininos, saúde reprodutiva e saúde materna. Ao longo do restante do ciclo de vida feminino, o capital praticamente desaparece.
Sob o Talibã, mulheres afegãs vivem um regime de segregação extrema que o mundo hesita em nomear e enfrentar.
Líderes populistas desviam atenção de falhas institucionais e consolidam poder explorando divisões sociais. Assim, o passado de repressão e perseguição se repete.
Se há algo que este momento exige da comunidade internacional, em especial de governos progressistas, é clareza e coerência. A indignação não pode ser seletiva ante a brutalidade do regime iraniano.
É num espaço estreito entre legalidade, geopolítica e sofrimento humano que se jogam o futuro venezuelano, a estabilidade regional e a credibilidade das normas que regem a ordem internacional.
Quando até sandálias, no caso, as Havaianas, se tornam elementos para acirrar a polarização, fica claro que o problema não é o conteúdo, e sim o ambiente político que se instaurou no Brasil.
Não se trata de negar avanços pontuais como mulheres ao volante, mas de reconhecer o óbvio: modernização sem direitos não é progresso; é autoritarismo high-tech.
Se o passado nos ensinou algo, é que o ódio, quando tolerado, nunca se limita ao seu alvo inicial. Combater o antissemitismo não é apenas um dever moral, é um compromisso com o futuro da democracia.
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