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Escritor
Em Milão, o que parecia um som inoportuno de um telefone celular vinha de um menino tocando um instrumento do outro lado do mundo para um saudoso pai.
Uma crônica sobre as armadilhas do tempo e o sentimento impossível de uma criança que sente nostalgia pelos seus 65 anos.
Na final da Copa, EUA e Israel substituem misteriosamente Espanha e Argentina. Entre a censura e o espanto, o espetáculo vence o absurdo.
Depois de gritarem em uníssono por noventa minutos, todos se voltam ao próprio telefone. Os vencedores, no campo, correm uns ao encontro dos outros. Os derrotados, no bar, vão para lados opostos.
É verdade aquela velha máxima de que a história se repete, mas, pelo menos no caso das Copas do Mundo, a primeira vez pode ser a farsa, e a segunda, um drama inesquecível.
Não consigo deixar de imaginar como ela se comportaria se tivesse más notícias a dar.
Antes, as notícias ruins chegavam na hora do jornal. Hoje, é sempre hora do jornal. Dormimos sobre ele, indigentes, com suas notícias espinhosas cutucando nosso corpo e nossa alma.
Entre trocadilhos infames e lampejos de invenção, a língua revela sua vocação lúdica, que transita pela criatividade e pelo poder inerente a ela.
Afinal de contas, para que tanta excepcionalidade? Desconfio que para acordar a horda de zumbis entediados que nos tornamos. Os zumbis precisam levar choques de alta voltagem para não desistir.
Eu andava desassossegado pelas ruas da Baixa, pensando em Bernardo Soares e no que ele escreveu sobre o espelho. Para ele, Bernardo/Fernando, o espelho causou a desgraça do homem.
Agora, os hotéis decidiram colocar sabonete e xampu no mesmo frasco. A pergunta é se, juntos, os produtos mantêm os mesmos efeitos sobre cabelos e corpo?
De cronista “sem rua” a observador das agruras das redes sociais
Fiquei a imaginar as inteligências artificiais num bar de IAs, bebendo cerveja, debatendo calorosamente. Quase brigando. O futebol é assim, tira até as IAs do sério.
É preciso resgatar a empatia, o respeito às diferenças. A empatia só existe quando o outro é outro. Senão, é narcisismo. Ou autocompaixão deslocada.
A conexão — ou não — de três homens que nasceram em outubro de 1940, os símbolos do Natal e a descoberta das palavras em inglês.
Meu afeto pelo futebol resiste à aliança cada vez mais explícita do jogo com atividades ilegais, como o tráfico do que quer que seja, a lavagem de dinheiro, ditaduras, etc.
Diante de uma balança que insiste no zero, um homem começa a testar sua própria existência e encontra no cotidiano o abismo da dúvida mais simples.
Se os lugares acolhedores de antes tornaram-se inóspitos para o tímido, as profissões mais rentáveis e atrativas do momento estão completamente fora do seu alcance.
No mundo virtual, que, para muitos, tem mais valor que a escola, o que importa é a chamada “liberdade de expressão”, que tudo mede pela régua da opinião e do gosto.
A tecnologia une os desvalidos da cidade inteira, mas, depois que todo mundo está avisado, é cada um por si.
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