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Cantor e compositor
Mesmo sendo 10% da população de Portugal, os lusos-brasileiros e os portugueses-africanos não estão representados politicamente, nem entre os partidos de esquerda.
O português é tão misturado quanto o nosso genoma, rico em vocabulário indígena e africano. E é justamente este o português que ganhou escala, com aproximadamente 300 milhões de falantes.
Os “Zés” brasileiros que constroem o país e lutam pelo direito de existir. A população negra representa 57% dos cidadãos do Brasil.
A cultura de um país se fortalece quando tiramos o véu de parte da nossa história que a sociedade morre de medo de contar. Ganhamos como povo, repensamos e reafirmamos nossas tradições comuns.
Tomara que, diante do circo de horrores que foi a posse de Donald Trump nos EUA, possamos encontrar várias feiras de troca para substituirmos as redes sociais pelo sentido mais amplo de comunidade.
Ainda Estou Aqui é uma chance para que o mundo que fala inglês perceba como pode ser transformador se aproximar da cultura do outro, ganhar camadas de saberes ao conhecer o desconhecido.
Continuo acreditando na rapaziada, na comunidade, na fé maior que as religiões, nas cantigas do cancioneiro popular e numas belas garrafas de boas bolhas para serem partilhadas com os amigos de fé.
Os indianos, nepaleses, paquistaneses, bangladeshianos, africanos e brasileiros, da mesma forma, devem ser integrados e respeitados pela comunidade portuguesa e lusófona.
A capoeira, com sua poesia, é a linguagem que abraça locais e a comunidade migrante, pois nos reconecta com a nossa ancestralidade.
Talvez, o caminho seja a construção de uma pequena sociedade alternativa, uma aldeia, com amigos de fé, irmãos camaradas, para viver, confortavelmente, em quatro quarteirões, longe de Trumps e Musks.
O fundamentalismo nas áreas da arte, da música, em especial, é um desserviço, pois abandonamos a comunidade, as tradições comuns, em favor do divanismo e do egocentrismo.
A cultura deve ser sempre vista como uma atividade econômica ordinária, uma profissão que deve gerar sustentabilidade diária aos artistas e a seus produtores.
Só Ney Matogrosso é capaz de fazer o mais conservador dos portugueses sonhar com a cidadania brasileira e sair do armário.
Verdade, verdade mesmo, é que passamos demasiado tempo colocando a bandeira à frente da língua portuguesa
Não há nenhum português que não tenha na família algum emigrante, heranças culturais africanas, mouras ou indígenas e, da mesma forma, nenhum brasileiro que não seja também africano ou português.
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