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Ruy Filho é crítico de cultura, editor da Plataforma de Artes Antro Positivo e Investigador do Centro de Estudos de Teatro da Universidade de Lisboa
As palavras servem a jogos de poder e de distorções calculadas, assumindo contextos diferentes a partir de quem as utiliza e como são entregues.
Não se deve ser hipócrita e compreender o incompreensível apenas para proteger certos nomes, estruturas, histórias ou o que for.
Acontecimentos recentes revelam o pior dos mundos: Portugal cada vez mais submisso ao conservadorismo hipócrita e a líderes demagogos, em uma Europa perdida quanto ao seu papel civilizacional.
Participamos de forma sistêmica da guerra e de suas violências quando passamos a projetar e delegar a responsabilidade apenas nos outros e, em níveis mais radicais, quando optamos por nos alienarmos.
Um rei idiota e tirânico sentado em um trono dourado durante a destruição do mundo. Na verdade, em um vaso sanitário. A ópera Paraíso dos Monstros não recusa meios para ridicularizar Donald Trump.
Os ataques ao TBA expõem um padrão que vai além de um caso isolado: a cultura entrou no centro de uma disputa que ameaça sua própria existência.
Se pensamentos esdrúxulos são recuperados na história, então, ela mesma nos dará a resposta: até os maiores déspotas que tivemos, quando enfrentados pelo povo, sucumbiram ao próprio fracasso.
O diferente, o estrangeiro, o imigrante e o refugiado são escolhidos como os desestabilizadores. Trata-se de uma gestão de comportamentos em que o multiculturalismo é suportado até certo ponto.
Mostra Complexo Brasil, na Fundação Calouste Gulbenkian, nos faz pensar que não se pode avançar na construção de uma nação sem ter ao lado quem e o que lhe oferece caminhos novos.
Não se pode ter medo de defender a arte, os artistas, a liberdade e a democracia, e nem deixar de perceber tudo estar interligado de forma inesperável.
Trump não se coloca caricaturalmente como rei, ele está certo de já o ser. Engana-se quem pensa ser um reinado apenas sobre os Estados Unidos. O mundo existe para lhe servir, para lhe enriquecer.
A arte é o espaço onde o coletivo se materializa em diversas possibilidades, das experiências físicas aos afetos, das reflexões às construções de conceitos novos.
O mundo é outro. Radicalmente outro. Sem lógica e caótico, onde ideologias outrora contrapostas subvertem a ordem ao improvável. Por isso, requer coragem para ser enfrentado.
A Justiça, ao acreditar na exposição das cortes e de os juízes servirem de meio para potencializar a democracia, perdeu-se na própria projeção pública.
Enquanto as diferenças forem afirmadas como retóricas políticas fora das diferenças reais culturais e sociais, a divergência tenderá a crescer e a confiança institucional a diminuir.
Teatro, ópera, dança, clube de leitura em estabelecimentos prisionais, sim. As respostas são tão evidentes, que chega a ser difícil compreender como alguém ou um gestor pode se opor.
Os ideais extremistas não são imposições, são sempre escolhas. O problema é, uma vez entregue às mãos de abusadores, a vítima, a sociedade, perde a capacidade de encontrar como reagir.
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