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Psicanalista e jornalista
Vivemos em democracia, todos temos o poder de agir, de corrigir o que vemos, o que está errado, e de tentar encontrar respostas e soluções.
O problema não está no que chega de fora. O problema está na incapacidade de reconhecer que, muitas vezes, o que chega de fora não vem para romper. Vem para temperar.
Acolher quem chega não é apenas um gesto de generosidade. É reconhecer que a imigração não empobrece necessariamente um território. Muitas vezes, ela o amplia.
Dois copos de lealdade, cinco mãos cheias de respeito, três colheres cheias de risadas, duas latas de escuta e um barril de afeto. Massa pronta e forno aquecido. Respeito, escuta, riso, afeto.
Se, para Freud, a fé nasce do desamparo, para o imigrante ela se torna também uma forma de reorganizar o pertencimento. É nesse ponto que o pensamento pode se expandir.
O problema é quando já não sabemos como estamos sendo vistos ou se estamos sendo vistos. E, então, o medo aparece. Não como dramatização, mas como percepção.
A emigração não desloca apenas pessoas; desloca sensibilidades. Seu impacto não está somente na economia ou na demografia, mas na forma como a sociedade aprende a olhar e a reconhecer novas presenças.
Somar culturas não é apagar diferenças; é transformá-las em campo comum. Integrar-se é assumir responsabilidade pelo espaço que se ocupa.
Quando a migração se apoia reconhecimento mútuo — entre quem chega e a cultura que o recebe —, o deslocamento deixa de ser vivido apenas como ruptura e passa a operar como intercâmbio cultural vivo.
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