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Gestora de projetos culturais e especialista em aprendizagem e desenvolvimento
Seguimos sem saber se, em caso de incêndio, de fato haverá autoridades competentes, capazes de agir e preocupadas com as vidas em risco. Sem sabermos, agora, quem poderá nos defender.
O (re)pouso é tão importante quanto o voo. Às vezes, casa não é o lugar de onde partimos, mas aquele para onde escolhemos voltar.
Portugal tornou-se o antigo conhecido que reencontro sempre que quero me sentir à vontade e conversar por horas como se estivesse no sofá da sala. Sem cerimônias. Nem nostalgia.
Na convivência com uma criança catalã, as fricções entre o português, o castelhano e o catalão mostram que aprender um novo idioma é aceitar o desafio de voltar a ser aprendiz da leitura.
Uma criança catalã me ensinou, entre desenhos e palavras em português, que preservar a língua de origem também é uma forma de cuidar de quem chega de fora.
Nas praias do Norte de Portugal, há um paradoxo sensorial. Do lado de fora, calor e vento frio. E do lado de dentro, o mar que congela e faz a circulação sanguínea pensar duas vezes.
O luto demissional não leva apenas o salário: ele esvazia os laços, a confiança e a sensação de pertencimento. No entanto, abre espaço para uma travessia rumo à reinvenção profissional.
A maternidade não foi adiada à espera de um homem, mas na construção de uma vida. E me assustou a casualidade da entrega do meu livro à ginecologista feminista coincidir com a retirada do DIU.
Entre corvos, urubus, fungos e exus, uma reflexão sobre o medo, a cegueira, a morte e aquilo que, na natureza, transforma o fim em recomeço.
A vista mais bonita do eclipse veio depois que a maior parte das pessoas foi embora: a lua sobre a borda do sol, já do lado esquerdo, enquanto a outra borda do sol se punha entre as montanhas.
Entre acasos e descobertas literárias, um relato sobre o primeiro contato com a língua galega e a grata percepção de que existe um universo cultural vizinho que dispensa traduções.
Uma rede de mulheres reconhecia e apreciava talentos que nem sempre nos sentimos à vontade para deixar vir à flor da pele.
Os mesmos brasileiros que se abraçaram durante a Copa do Mundo, provavelmente, em alguns meses, com as eleições presidenciais, não partilharão a mesma mesa. O Brasil ainda está muito polarizado.
Embora o Prêmio Camões exista há quase quatro décadas (quase todo o tempo de carreira de Lídia Jorge), dos 38 escritores que receberam o Prêmio Camões até o presente ano, apenas 10 são mulheres.
Uma reflexão visceral e divertida sobre os absurdos do verão, a nossa obsessão por proteção e a única coisa que o calor não consegue derreter
Por que diários eram sempre presenteados às meninas e nunca aos meninos? Era vigilância ou os meninos não mereciam igualmente estimular seus talentos de escrita e explorar o seu mundo interior?
A vulnerabilidade de ser imigrante ganha uma outra camada quando há interseccionalidade, não só de gênero, mas também de raça e de classe.
Há os que já não têm mais fôlego para se aventurar, que trazem o coração aos remendos e já esqueceram o que é suspirar de amor.
O ir e vir faz parte dos portos, onde nem sempre se atraca para ficar. Ainda assim, a errância não anula a permanência do que é partilhado nos rituais do cotidiano.
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